Sérgio Hoff
Fim da Greve dos Bancários.
Poderia dizer que volto frustrado, pois muito pelo qual lutei acabei não conquistando;
Poderia dizer que volto desanimado, pois sei que meu gerente vai me olhar com um olhar de deboche e perguntar "como foi lá?", da forma mais deslavada o possível;
Poderia dizer que volto indignado, pois em muitos momentos pareci "conduzido" a decidir dessa ou daquela forma;
Poderia dizer que volto triste, pois apesar do nosso esforço, tudo foi em vão.
No entanto, isso não é verdade!
Volto de cabeça erguida, animado, alegre. Se não consegui tudo o que queria, ao menos tenho a certeza de que avancei e MUITO com a nossa luta. Qualquer pessoa dotada de um discernimento que a torne um pouco menos ingênua sabe que, na luta contra o Capital, conquistar tudo o que aspiramos é algo impossível. Se queremos atingir este "estágio de sonho", é preciso primeiro quebrar toda a lógica do sistema.
Toda e qualquer piadinha que eu possa ouvir amanhã, logo logo vai silenciar, pois quando o(a) abobado(a) que a fizer olhar seu próximo contracheque e perceber algo a mais ali, saberá que foi só porque EU estava nas ruas, lutando por ele(a), desde o primeiro dia do movimento até o último fôlego possível.
Apesar de algumas tentativas reais de "convencimento" - e nesse ponto eu cutuco a ferida político-partidária DE AMBOS OS LADOS - tenho plena ciência dos meus votos e dos motivos pelos quais votei A ou B. Não sou criança nem ignorante, para seguir um lado só porque os outros também o seguem; tenho discernimento e vivência suficientes para saber quando me deixam livre para escolher e quando TENTAM me manipular. Prova disso foram nossas assembleias, especialmente a de rejeição da proposta anterior, onde não houve como silenciar a voz da maioria. Em tudo o que fizermos nas nossas vidas, sempre haverá presente o aspecto político, as escolhas que devemos fazer; E, sempre concorrendo com nossas escolhas, nos depararemos com criaturas que PENSAM que podem dobrar a nossa vontade.
Mais do que tudo, TENHO CERTEZA ABSOLUTA DE QUE A NOSSA LUTA NÃO FOI EM VÃO! Sabem por quê? Porque conseguimos dobrar a vontade dessa diretoria obtusa, de diversas formas: Não caímos nas promessas iniciais de "diálogo"; Quando o discurso deles endureceu, nós endurecemos junto e mostramos com quem eles estão lidando; Mandamos uma clara mensagem - com a maior greve das últimas duas décadas - de que se essa diretoria não abandonar esta postura intransigente, a situação só vai piorar para eles nos próximos anos, pois já aprendemos como fazê-los voltar atrás em suas determinações "derradeiras".
Principalmente, não foi em vão de forma alguma, porque as pessoas que conheci e ao lado das quais lutei nessa greve são mais do que colegas - Se tornaram meus parceiros, apoiadores, companheiros, AMIGOS, IRMÃOS. São pessoas especiais, que não esquecerei facilmente e nem pretendo, muito pelo contrário: Espero manter contato e fortalecer esse vínculo com todos vocês. Esta luta não começou ontem, nem terminará amanhã. Precisamos nos manter unidos, hoje e sempre!
Um grande abraço a todos que fizeram desses 22 dias os mais importantes de toda a minha vida profissional! Contem sempre comigo!
AH-OOH, AH-OOH, AH-OOH!!!
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